Linguagem interna: fale bem com você e tenha ótimos resultados

A base invisível da sua comunicação

Nessa última década dediquei minha vida a estudar e trabalhar para tornar a comunicação uma aliada das pessoas.

No começo da jornada, especialmente nos dois primeiros anos, o foco era direto: ensinar a falar em público com segurança, postura e técnica. O método funcionava. Os alunos aprendiam respiração, organização de ideias e estrutura de discurso. Como resultado, subiam ao palco mais confiantes e performavam melhor.

Entretanto, após algum tempo, muitos voltavam ao padrão anterior.

A energia inicial diminuía, o medo reaparecia e a autossabotagem retomava espaço. Foi nesse ponto que percebi algo decisivo: o desafio não estava apenas na exposição pública. Na realidade, falar em público era apenas a superfície.

Linguagem interna e comportamento: o que a ciência demonstra

Ao aprofundar os estudos sobre comportamento humano, tornou-se evidente que a comunicação externa é reflexo direto da linguagem interna.

Experiências acumuladas ao longo da vida moldam crenças. Pequenos episódios constroem narrativas internas. Comentários repetidos se transformam em identidade. Consequentemente, atitudes e posturas passam a ser guiadas por essas interpretações.

A psicologia cognitiva confirma essa dinâmica. Aaron Beck demonstrou que crenças centrais negativas impactam autoestima e desempenho. Além disso, dados publicados pela American Psychological Association associam autocrítica excessiva a maior ansiedade e pior performance sob pressão.

Portanto, o medo de falar em público muitas vezes é apenas um sintoma. Na base do comportamento, encontra-se a forma como a pessoa conversa consigo mesma.

Comunicação não é apenas técnica, é identidade

Com essa compreensão, a metodologia evoluiu. Técnicas de oratória continuaram sendo aplicadas, porém passaram a ser integradas a ferramentas mais profundas, como Programação Neurolinguística, hipnose e processos terapêuticos.

Afinal, técnica melhora performance. Identidade sustenta resultado.

Recordo-me de um aluno atendido individualmente, que chamarei de Pedro.

Desde o primeiro encontro, ele utilizava expressões autodepreciativas:

“Eu sou bem lerdo.”
“Sempre faço coisas erradas quando falo.”
“Esse negócio de falar com as pessoas não é para mim.”

Perceba o padrão: antes mesmo de se posicionar diante dos outros, ele já havia se rotulado.

Durante um processo de hipnose para identificar a origem dessa linguagem interna, questionei:

“O que você vê?”

Ele relatou uma lembrança da infância: tinha cerca de 9 anos quando foi exposto de forma constrangedora por um tio durante uma festa. As risadas marcaram aquele momento.

Ali estava uma das raízes.

A partir dessa descoberta, trabalhamos ressignificação, aprendizado e construção de novos significados. Com o tempo, a narrativa interna foi reformulada. Como consequência, sua comunicação externa ganhou fluidez e segurança.

Esse tipo de transformação encontra respaldo na neurociência. Estudos sobre neuroplasticidade indicam que o cérebro reorganiza conexões quando novas interpretações são consolidadas. Em outras palavras, mudar a linguagem interna altera respostas emocionais e comportamentais.

Reprogramando a linguagem interna

A maneira como você se descreve influencia diretamente seus resultados. Pequenas mudanças estruturais geram grandes impactos.

Veja alguns exemplos:

Frase negativa: Eu sou muito burro.
Reestruturação estratégica: Eu preciso estudar melhor esse assunto.

Frase negativa: Eu travo quando falo.
Reestruturação estratégica: Estou desenvolvendo minha segurança ao falar.

Frase negativa: Eu nunca consigo me expressar.
Reestruturação estratégica: Preciso organizar melhor minhas ideias.

Frase negativa: Eu sou péssimo para liderar reuniões.
Reestruturação estratégica: Posso aprender técnicas para conduzir reuniões com clareza.

Frase negativa: Eu sou tímido demais.
Reestruturação estratégica: Estou aprendendo a me posicionar com confiança.

Frase negativa: Eu sempre erro quando apresento.
Reestruturação estratégica: Estou em processo de aprimoramento.

Frase negativa: Eu não nasci para isso.
Reestruturação estratégica: Essa habilidade pode ser desenvolvida.

Frase negativa: Minha voz é horrível.
Reestruturação estratégica: Posso melhorar projeção e dicção.

Frase negativa: Eu sou inseguro.
Reestruturação estratégica: Preciso fortalecer minha autoconfiança.

Frase negativa: Eu não tenho perfil para falar em público.
Reestruturação estratégica: Posso construir esse perfil com preparo e prática.

Observe a diferença: enquanto a primeira formulação define identidade fixa, a segunda aponta para crescimento.

Como usar sua linguagem interna a seu favor

Para transformar sua comunicação, é necessário agir com intenção.

Inicialmente, elimine rótulos definitivos.
Em seguida, substitua generalizações por descrições específicas.
Sempre que possível, troque “eu sou” por “estou desenvolvendo” ou “preciso aprender”.
Além disso, alinhe cada nova frase a uma ação concreta.
Por fim, monitore seu diálogo interno diariamente.

Com consistência, a autossabotagem perde força e a confiança ganha espaço.

Conclusão: falar bem começa dentro

Falar bem em público é importante. Segurança ao se posicionar também é. Contudo, antes da técnica existe identidade.

Quando a linguagem interna permanece negativa, a performance se torna instável. Por outro lado, ao fortalecer a base emocional e cognitiva, os resultados se tornam sustentáveis.

Assim, a pergunta permanece: que tipo de narrativa você tem repetido para si?

Se deseja estruturar sua comunicação de forma estratégica e duradoura, comece pela raiz. Desenvolver oratória é essencial. Entretanto, desenvolver consciência sobre sua linguagem interna é o que realmente consolida transformação.

A Tagarela pode acompanhar você nesse processo.

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