Comunicação nas vendas: você vende sim!

O preconceito contra a venda ainda existe

Eu odeio vendedor. E se você virou vendedor, foi por falta de opção.

Essa é uma das frases que mais se escuta por aí. Da mesma forma, outra muito comum é: “Eu não vendo e nunca vou vender”. No entanto, é preciso ser direto: você precisa da venda para viver. Todos nós precisamos. Afinal, qualquer profissão só existe porque alguém, em algum momento, conseguiu comunicar valor, gerar percepção de necessidade e viabilizar uma contratação.

Você pode trabalhar com auditoria financeira, medicina, direito, engenharia ou qualquer outra área. Ainda assim, sem contrato, não existe empresa. Sem empresa, não existe salário. Consequentemente, sem venda, não existe sustento.

Por isso, alguns paradigmas precisam ser quebrados.

Quando o desprezo vira hábito

“Mais uma ligação de vendas, que cara chato, vou desligar na cara dele.”
“Chamou no WhatsApp, vou bloquear.”
“Esse pessoal só incomoda.”

Essas frases são ditas, muitas vezes, por pessoas que preencheram formulários, demonstraram interesse e solicitaram contato. Ou seja, pediram informação, sinalizaram curiosidade e mostraram intenção. Mesmo assim, depois, tratam com desprezo quem apenas fez o seu trabalho.

Nesse contexto, a incoerência é evidente.

Entretanto, com comunicação, esse cenário pode mudar.

Recebeu uma mensagem? Responda no seu tempo, com educação e cortesia. Mesmo que não queira continuar naquele momento, uma resposta simples resolve: “Fernando, agradeço o contato, mas neste momento não vou dar continuidade. Desejo sucesso no processo.”

Além disso, esse tipo de postura preserva relações e constrói reputação.

Respeito não depende de agenda vazia

Eu faço exatamente assim. E não é porque tenho tempo sobrando.

Na prática, muitas vezes estou respondendo dezenas de e-mails, centenas de mensagens no WhatsApp e atendendo pessoas presencialmente. Ainda assim, se alguém me procurou de forma respeitosa, eu respondo com respeito. Afinal, isso é o mínimo esperado de um profissional.

O vendedor precisa ser resiliente, lidar com metas agressivas, conviver com pressão constante, administrar frustração, ouvir não o dia inteiro e se reinventar continuamente. Tudo isso é verdade. Porém, ele continua sendo um ser humano. Com o tempo, tudo se acumula. Até que o corpo e a mente cobram a conta.

Portanto, ignorar esse fator é fechar os olhos para um problema real.

Cobrança é necessária. Hostilidade não.

Cobrar é importante. Ninguém é ingênuo a ponto de achar que o mercado é um campo cheio de flores. Existem espinhos, disputas, riscos e desafios. Isso faz parte.

Por outro lado, transformar o ambiente em um campo de guerra emocional não faz parte.

Educação nunca é demais.

Infelizmente, ainda se confunde grosseria com personalidade forte, arrogância com autoridade e agressividade com liderança. Contudo, isso não é força. É imaturidade emocional. Não é lacração. Não é mimimi. É empatia. É civilidade. É inteligência relacional.

O custo invisível da comunicação grosseira

A comunicação agressiva não é neutra. Pelo contrário, ela gera impacto psicológico, emocional e fisiológico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o burnout é resultado direto do estresse crônico no trabalho. Ele se manifesta por exaustão extrema, distanciamento emocional e queda de desempenho. Profissionais que lidam com rejeição constante, como vendedores, estão entre os mais afetados.

Além disso, pesquisas do Journal of Occupational Health Psychology mostram que ambientes marcados por humilhação aumentam significativamente os índices de depressão e ansiedade. O corpo entra em estado de alerta contínuo, o cortisol se mantém elevado e o sistema nervoso não descansa.

Com o tempo, surgem problemas de sono, irritabilidade, baixa imunidade, dificuldade de concentração e crises emocionais.

Da mesma forma, a American Psychological Association aponta maior uso de medicação entre profissionais expostos à incivilidade. Não se trata de fragilidade. Trata-se de biologia. O cérebro interpreta o desprezo como ameaça.

Por isso, distratar machuca. Repetidamente, adoece.

Quando a grosseria vira cultura

Quando normalizamos a agressividade como resposta padrão, contribuímos para um sistema que produz profissionais cansados, desmotivados e emocionalmente esgotados. Consequentemente, isso não gera alta performance. Gera rotatividade, afastamento e colapso.

Nesse sentido, educação não é fraqueza. É estratégia.

Empresas saudáveis entendem que respeito gera engajamento. Já ambientes tóxicos geram apenas medo, silêncio e desgaste.

Cinco práticas para se comunicar melhor sob pressão

1. Pause antes de responder.
Antes de reagir, respire. Uma pausa reduz impulsividade e evita conflitos desnecessários.

2. Separe a pessoa do problema.
O erro não define o caráter. Portanto, trate a situação, não ataque o indivíduo.

3. Seja claro sem ser agressivo.
Objetividade não exige brutalidade. Dizer não com respeito é suficiente.

4. Reconheça o esforço do outro.
Mesmo sem fechar negócio, reconhecer a abordagem fortalece sua imagem profissional.

5. Cuide da sua saúde emocional.
Quem vive exausto reage pior. Logo, autocuidado também é ferramenta de comunicação.

Leveza não é passividade. É firmeza com equilíbrio.

Venda é relação. Relação é comunicação.

Quando falamos de venda, muitos ainda imaginam apenas insistência. Entretanto, venda é troca, construção de confiança e geração de valor. Por isso, ela está presente em todas as relações humanas.

Você vende ideias em reuniões, vende credibilidade em apresentações, vende confiança em entrevistas, vende projetos dentro da empresa e vende decisões dentro da própria casa. Mesmo quem diz que não vende, vende o tempo inteiro.

Dessa forma, afirmar “eu não vendo” é desconhecer como a vida funciona.

A questão não é se você vende. A questão é como você se comunica enquanto vende suas ideias, seus valores e suas escolhas.

Este texto começou falando de vendedores, mas poderia estar falando do chefe que humilha, do gestor que constrange, do colega que ironiza ou do cliente que despreza. Em todos os casos, existe comunicação. E toda comunicação constrói ou destrói.

Não existe neutralidade.

Ou você fortalece relações. Ou desgasta pessoas. Ou inspira. Ou adoece ambientes.

Conclusão

Podemos continuar alimentando a cultura da grosseria como se isso fosse força. Ou, por outro lado, podemos amadurecer como profissionais e entender que empatia, respeito e clareza são competências estratégicas.

Não é moda. Não é discurso bonito. É responsabilidade.

No final, profissionalismo não começa no cargo, no currículo ou no faturamento. Começa na forma como você trata quem está do outro lado da conversa.

Quer desenvolver uma comunicação nas vendas que gere mais respeito, melhores relacionamentos e resultados consistentes? Quer aprender a se posicionar com clareza, firmeza e equilíbrio, mesmo sob pressão?

Tudo isso é técnica. E nós podemos contribuir nesse processo.

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